terça-feira, setembro 26, 2006
3ª Bienal de Jurisprudência de Direito de Familia e de Menores
Dias de pagamento dos funcionários públicos
Madeira: Conferência "Justiça, Solidariedade e Cultura"

Aqui fica o registo da excelente conferência organizada pela Comissão Diocesana "Justiça e Paz" que teve lugar ontem no Auditório Museu da Electricidade, no Funchal e que teve como orador o Dr. Guilherme Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas.
segunda-feira, setembro 25, 2006
Justiça: Eleições.

quinta-feira, setembro 21, 2006
O perigo de ir à escola
A insegurança e criminalidade nas escolas portuguesas são uma realidade. Os casos que vão povoando as páginas dos jornais são apenas uma gota de água na realidade quotidiana de violência física e psicológica de que alunos e professores são vítimas. A DECO realizou um estudo que envolveu 46 mil estudantes e docentes e que revela situações que normalmente são ocultadas pelo medo e pelo silêncio.Mais de 200 escolas responderam aos inquéritos enviados pela DECO. Quase 40 mil alunos aderiram à iniciativa, tal como cerca de 9230 professores. Os resultados foram reveladores: cerca de 37 por cento dos estudantes e 18 por cento dos professores admitiram já ter sido vítima de violência ou de crimes de ordem física ou psicológica dentro ou nas imediações da escola.
O estudo foi realizado entre Fevereiro e Abril deste ano e os dados refere-se ao ano lectivo de 2004/2005.
Os docentes de Lisboa, Porto e Setúbal são os que mais se queixam de situações de insegurança e criminalidade. Mas apenas no inquérito da Deco, porque raras são as queixas feitas quer à escola, quer à polícia. Justicação: «Caem em saco roto», um vez que «não têm consequências práticas».
É este também o principal motivo que leva os alunos alvos de violência física ou psicológica a escolher o silêncio, não fazendo queixa sequer aos pais.
Jornadas Madeirenses sobre o Novo Regime do Arrendamento Urbano e sobre a Reforma do Código das Sociedades Comerciais

Dias 21 e 22 de Setembro de 2006.
Auditório do edificio da Secção Regional do Tribunal de Contas no Palácio dos Esmeraldos à Praça Colombo, Funchal.
Organização: LAWMADEIRA- Associação Internacional de Advogados com a colaboração do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados da Madeira.
Programa:
Dia 21-
17h00- Abertura por Membro do Conselho Regional da Madeira e Dr. Sérgio Rebelo- Presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados.
17h30- Prof. Doutor António Menezes Cordeiro: O Novo Regime do Arrendamento Urbano. Aspectos Gerais.
18h15- Dr. Francisco de Castro Fraga: O regime transitório.
19H00- Dr. Juiz Paulo Pereira Gouveia: As apectos Administrativos e fiscais do NRAU.
Dia 22-
17h00- Prof. Doutor António Menezes Cordeiro: As grandes linhas da Reforma do Código das Sociedades Comerciais.
17h45- Dr. Francisco de Castro Fraga: O regime de obras no NRAU.
18h30- Dr. Francisco Santos: Reflexos mediatos da Reforma do Código das Sociedades Comerciais na economia regional e nacional.
19h15- Dr. José Teotónio: Reflexos mediatos do NRAU na economia regional e nacional.
20h15- Encerramento por membro do Governo Regional da Madeira.
terça-feira, setembro 19, 2006
O novo Procurador Geral da República

O Presidente da República, Cavaco Silva, anunciou esta terça-feira que vai nomear o juiz conselheiro Fernando José Matos Pinto Monteiro para procurador-geral da República. |
Ler artigo integral em Portugal Diário, de 19-09-2006.
Madeira: Relatório da PGR de 2005
Segundo o relatório da Procuradoria-Geral da República referente ao ano de 2005 e ao Circulo Judicial do Funchal foram movimentados nesse ano 25 processos de adopção plena e nenhum de adopção restrita. Neste documento, é também referido que, em termos de acções tutelares cíveis e incidentes, foram movimentadas 42 acções de confiança judicial para adopção e sete de consentimento prévio para o mesmo fim. Alterações ao Código Civil no âmbito da família
O Governo vai aprovar, até ao final do ano, alterações legislativas ao Código Civil no domínio do Direito da Família e dos Menores. "Queremos trazer o direito de família para o século XXI", sintetizou, ontem, em Guimarães, o secretário de Estado adjunto e da Justiça.Fonte do texto escrito: Jornal de Noticias, de 19-09-2006.
segunda-feira, setembro 18, 2006
Governo vai alterar Código Civil no domínio do Direito da Família e dos Menores
Governo vai aprovar, até ao final do ano, alterações legislativas ao Código Civil no domínio do Direito da Família e dos Menores, anunciou hoje, em Guimarães, o secretário de Estado Adjunto e da Justiça. Segundo José Conde Rodrigues, as alterações, que entrarão em vigor no próximo ano, "incidem nas áreas da tutela de menores, da regulação do poder paternal e do próprio casamento e dos problemas da nacionalidade". O governante acrescentou que será também reestruturado o Instituto de Reinserção Social e alterados alguns aspectos do regime processual dos tribunais, tendo em vista a especificidade dos problemas da família e dos menores em risco e a celeridade processual. O secretário de Estado falava durante o encontro anual de avaliação da actividade das comissões de protecção de menores da região Norte, que hoje se iniciou em Guimarães, com a participação do presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro, o presidente da Câmara Municipal local, António Magalhães, e 150 técnicos ligados ao sector. Conde Rodrigues disse que as alterações legislativas, que estão a ser preparadas com envolvimento do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, "trarão o Direito de Família para o século XXI". O mesmo responsável justificou a necessidade de alterações com o facto de o Código Civil datar de 1977 e de alguns aspectos da actual legislação, como os da adopção, necessitarem de ajustamentos. Segundo o secretário de Estado, a reestruturação do Instituto de Reinserção Social terá em vista "a vontade de o tornar mais apto para resolver os problemas de reinserção de pessoas com antecedentes criminais, jovens em risco e de actuar na prevenção da criminalidade". Sobre as alterações no domínio processual nos tribunais de família, José Conde Rodrigues esclareceu que "a sua especificidade jurídica não se compadece com a transposição das regras processuais civis"."O decalque das leis processuais civis nos tribunais de família não favorece a celeridade que os casos muitas vezes exige", sublinhou ainda o secretário de Estado Adjunto e da Justiça. |
FC Barcelona and UNICEF kick off global alliance

This is the first such logo placement in the club’s 107-year history, a highly visible sign of its firm commitment to the alliance. “Barcelona shows us that sports can be a powerful, positive force for children,” said UNICEF Executive Director Ann M. Veneman during a news conference announcing the partnership. “The team has opened a door of hope to thousands of children.” Added club President Joan Laporta: “The increasing number of FC Barcelona supporters and fans around the world in the last few years has been spectacular. The club has an obligation to respond to this enormous positive wave. The best way to do so is by using soccer as a tool to bring hope to millions of vulnerable children.” To that end, the FC Barcelona-UNICEF alliance will benefit children across the developing world. During its first year, the joint effort will focus on supporting young people affected by HIV/AIDS in Swaziland, which is believed to have the world’s highest HIV prevalence rate. FC Barcelona already has an extensive philanthropic history. It has committed itself to social, cultural, educational and humanitarian activities in Catalonia and has expanded internationally during the last few years under the motto, ‘More than a club’.
For every childHealth, Education, Equality, ProtectionADVANCE HUMANITY UNICEF |
Pacto PS/PSD sobre a Justiça: Supremo entra nas escutas

No capítulo sobre a revisão do Código de Processo Penal (CPP), socialistas e sociais-democratas estabeleceram que nos casos do Presidente da República, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro a competência para a “intercepção de comunicações” é “cometida” ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), cargo actualmente vago devido à jubilação de Nunes da Cruz mas que, a partir do dia 28, será ocupado, durante três anos, por um dos dois candidatos à sua sucessão: Noronha do Nascimento ou Pinto Monteiro. Nas restantes situações, o controlo e fiscalização das escutas continua a pertencer aos magistrados judiciais e deve ser “circunscrito a suspeitos, arguidos, intermediários e vítimas (neste caso mediante consentimento efectivo ou presumido)”. Rui Pereira, coordenador para a Unidade de Missão para a Reforma Penal, adiantou ao CM que no anteprojecto sobre a revisão do CPP não consta que só o presidente do STJ pode dar autorização para que sejam interceptadas as comunicações das três principais figuras do Estado. “Vai ser necessário acrescentar uma alínea ou fazer uma pequena precisão no artigo (11.º) que diz que o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República ou o primeiro-ministro só podem ser julgados pelo Supremo Tribunal.” “ATESTADO DE MENORIDADE” Quirino Soares, conselheiro jubilado do STJ, disse ao CM que PS e PSD passaram um “atestado de menoridade” aos juízes de instrução: “Não há qualquer razão para um privilégio que me causa muita estranheza. Qualquer juiz de instrução estaria em condições para o fazer, com isenção e independência. Mas como já acontece, aceito que as pessoas que ocupam esses três altos cargos do Estado apenas sejam julgadas pelo Supremo, tendo em conta a dignidade do cargo e que se trata do julgamento final.” INTERCEPÇÕES INDIRECTAS E se um dos três visados for apanhado numa escuta indirecta? O juiz Paulo Ramos de Faria, do Tribunal de Juízos Cíveis do Porto, entende que essa escuta “não enferma de nulidades”. “Porque, quando foi ordenada a escuta, a pessoa alvo não era qualquer uma das entidades mencionadas. Mas devo acrescentar que, por enquanto, estamos a falar de um documento sem qualquer força jurídica. Só a terá quando uma lei cansagrar tal regime”. Caso o Presidente da República, o presidente do Parlamento ou o primeiro-ministro se incriminem numa intercepção indirecta, Ramos de Faria admite como “plausível o entendimento segundo o qual tais escutas só poderão ser utilizadas como meio de prova contra as referidas individualidades depois de submetidas ao crivo” do presidente do Supremo”. PRINCIPAIS ALTERAÇÕES ACORDADAS NO PACTO DA JUSTIÇA - A prisão preventiva passa a ser aplicável apenas a crimes puníveis com mais de cinco anos de prisão. - Passa a caber exclusivamente ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça a competência para a autorização de intercepção de comunicações nos seuintes casos: Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e Primeiro-Ministro - É agravada a responsabilidade criminal e as medidas de coação em fenómenos graves como o incêndio florestal e os crimes ambientais - O segredo de Justiça é aplicado quando a publicidade prejudique a investigação ou os direitos dos sujeitos processuais. CORRUPÇÃO NO DESPORTO ESCAPA À PRISÃO PREVENTIVA O próximo Código de Processo Penal não irá prever a aplicação da prisão preventiva aos crimes de corrupção no desporto. Ao restringir a aplicação da prisão preventiva a crimes puníveis com mais de cinco anos de prisão (actualmente o mínimo é três anos) o pacto da Justiça de José Sócrates e Marques Mendes retira a corrupção desportiva do leque de fenómenos criminais, no âmbito dos quais pode ser determinada a medida de coacção mais gravosa prevista na lei. Apesar de o Governo ter definido o combate à corrupção no desporto como uma prioridade, designadamente através da elaboração de um anteprojecto de lei contra esta criminalidade, o agravamento das penas previsto pela Unidade de Missão para a Reforma Penal não excede os cinco anos, inviabilizando que suspeitos fortemente indiciados do crime de corrupção no desporto, atletas, dirigentes ou árbitros sejam detidos preventivamente. Aliás, com a restrição da prisão preventiva acordada pelo PS e pelo PSD, crimes como a burla qualificada, extorsão, furto qualificado, entre outros, deixam também de ser passíveis da aplicação de preventiva. Entretanto, Rui Pereira garantiu ontem ao CM que vai propor, à Unidade de Missão, que o crime de associação criminosa seja aplicado na corrupção desportiva, circunstância que alterará a impossibilidade da preventiva ser determinada neste tipo de criminalidade. “Tenho a intenção de propor este crime até ao próximo dia 25”, garantiu o penalista, sublinhando que em matéria de penas “ainda não existe nada de definitivo”. EXEMPLOS DE CRIMES QUE DEIXAM DE PREVER PRISÃO PREVENTIVA - Corrupção no desporto: Pena prevista de seis meses a cinco anos de prisão. - Burla qualificada: Pena até cinco anos de prisão. - Corrupção activa: Seis meses a cinco anos de prisão - Extorsão: Punido com pena máxima de cinco anos de prisão. - Furto qualificado: Pena até cinco anos de prisão. - Homicídio por negligência grosseira: Até cinco anos de prisão. GOVERNO NEGA OPÇÃO POR JUIZ-CONSELHEIRO O ministro da Justiça, Alberto Costa, desmentiu que o substituto de Souto Moura na Procuradoria-Geral da República (PGR) seja um juiz-conselheiro. “Face a notícias hoje [ontem] publicadas, acerca da escolha do futuro procurador-geral da República, o ministro da Justiça vem esclarecer que se trata de pura especulação, destituída de fundamento”, pode ler-se no comunicado ontem divulgado. As notícias a que se refere o comunicado avançam que nas negociações sobre o pacto da Justiça, o PS e o PSD consensualizaram que o futuro PGR deverá ser um magistrado e que o nome que mais encaixava no perfil era o do juíz-conselheiro Henriques Gaspar, vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Foi igualmente noticiado que o juíz-conselheiro do STJ Fernando Pinto Monteiro também foi referido para o cargo, mas a sua alegada filiação na Maçonaria teria comprometido a sua indigitação (ver caixa). Também o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, se apressou a negar ontem a existência de negociações com o PSD em torno do nome do futuro PGR. A este respeito, uma fonte do Ministério da Justiça disse ao CM que ainda está tudo em aberto, pelo que o novo PGR tanto pode ser um magistrado judicial como do Ministério Público. A fonte disse também que o novo PGR será conhecido ainda este mês, pese embora o facto de o mandato de Souto Moura só terminar a 9 de Outubro. MAGISTRADOS JOSÉ MATOS PINTO MONTEIRO Nomeado para o Supremo Tribunal de Justiça em 1998, onde actualmente preside à 1.ª secção, Pinto Monteiro poderá enfrentar Noronha Nascimento nas próximas eleições para a Presidência, de 28 de Setembro. Formou-se em Coimbra e iniciou-se na magistratura como procurador do Ministério Público em Idanha-a-Nova. HENRIQUES GASPAR António Silva Henriques, 57 anos, natural da Pampilhosa da Serra, é um dos vice-presidentes do Supremo Tribunal de Justiça. Começou a carreira como procurador do Ministério Público e é desde 2003 juiz-conselheiro no Supremo. Antes, foi agente de Portugal no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. É colaborador do blogue Sinedie. NOTAS INTERROGATÓRIOS O interrogatório terá a duração máxima de quatro horas e só poderá ser retomado, por período idêntico, após um intervalo mínimo de uma hora. CLUNNY ACEITA MAGISTRADO O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, António Cluny, diz que um magistrado para PGR cabe no perfil que foi definido. LIBERDADE SEXUAL São tipificados novos crimes contra a liberdade pessoal e sexual e a previsão de novas circunstâncias agravantes de crimes contra a vida. PESSOAS INDEFESAS Será reforçada a tutela de pessoas indefesas, como crianças, menores e vítimas de violência doméstica, maus tratos ou discriminação. |
Fonte: Correio da Manhã, de 17-09-2006.
sábado, setembro 16, 2006
Maus tratos em menores
sexta-feira, setembro 15, 2006
Maus tratos: sete crianças mortas
Ao final da tarde desta quinta-feira morreu mais uma criança em Portugal vítima de maus tratos. Angelina tinha feito dois anos há cerca de um mês e vivia em Albufeira com a mãe, o padrasto e um irmão deste. Foi abusada sexualmente e morreu devido a ferimentos causados no abdómen. Esta é já a sétima criança assassinada em dois anos e meio. A bebé é filha de pais ucranianos, mas nasceu já em Portugal, segundo apurou o PortugalDiário. As suspeitas de abuso sexual e homicídio qualificado recaem sobre o tio adoptivo da bebé, um jovem de 20 anos, que era responsável por tomar conta da criança na ausência da mãe. No entanto, segundo confirmou a PJ foi o próprio suspeito que chamou os bombeiros para assistir Angelina. Segundo escreve o «24 horas» a bebé chegou ao hospital já em coma. Foi efectuada uma cirurgia, mas Angelina não resistiu aos ferimentos causados por «traumatismo contundente» e acabou por falecer. A Judiciária interrogou o suspeito até à meia-noite de quinta-feira tendo recolhido indícios durante o interrogatório que permitiram detê-lo já na madrugada desta sexta-feira. Ao final da tarde, o jovem de 20 anos estava ainda a ser ouvido pelo juiz de Instrução Criminal. Os casos com desfecho mais dramático Desde 2003 foram vítimas de violência infligida por familiares ou vizinhos sete crianças. Catarina, Joana, Vanessa e Daniel são apenas os nomes mais conhecidos de uma lista de casos de crianças vítimas de violência que muitas vezes lhes provocou a morte. No passado mês de Maio, uma jovem foi encontrada morta num andar de um prédio na Quinta da Lomba, no Barreiro, aparentando «sinais de ter sido assassinada com grande violência», disse à Lusa a autoridade de saúde local. A 31 de Maio foi também conhecido o caso de uma ama ilegal de Olhão, com 16 crianças a cargo, impedida de continuar a actividade depois de uma bebé entregue aos seus cuidados ter morrido asfixiada. Antes, em Março, a Polícia Judiciária de Setúbal anunciou a detenção de um casal brasileiro suspeito de ter agredido um menino de três anos que estava à sua guarda e que viria a morrer no Hospital Garcia de Orta, em Almada. Uma criança vítima de maus tratos a cada dois dias Em cada dois dias, uma criança portuguesa é vítima de maus tratos, violência que muitas vezes provoca a morte, segundo um estudo da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Mas já este ano a associação revelou que perto de cem crianças foram vítimas de maus tratos no primeiro trimestre de 2006. Já os dados, a que o PortugalDiário teve acesso, do Núcleo Mulher e Menor da GNR, dão conta de 237 casos de violência infligida contra menores de 16 anos. Entre estes, destacam-se três por agressões graves, um por violação e oito por abuso sexual. |
Fonte: Portugal Diário, de 15-09-2006.
“A ineficiência do nosso processo penal é notória quanto à grande criminalidade”
Para Paulo Gouveia, um processo penal só é eficiente se, sem desperdiçar meios, for capaz de ter sucesso contra a criminalidade organizada e de colarinho branco Quanto à não inclusão do combate à corrupção no pacto PS/PSD para a justiça, o juíz considera-a irrelevante “se a polícia passar a ter já os meios científicos e humanos especializados para investigar esse tipo de criminalidade complexa”. Tribuna - O presidente do Conselho Distrital da Madeira da Ordem dos Advogados disse recentemente que os principais problemas da justiça portuguesa são os atrasos profundos na acção executiva e o Código Penal. Concorda? Paulo Gouveia - Entendo que os principais problemas da justiça portuguesa são os atrasos profundos na acção executiva e o processo penal, a que acrescento o excesso de litigância nos tribunais de família e menores. Quanto à acção executiva, a pedra de toque da justiça cível, o que se passa é fruto da incompetência do legislador e dos poucos meios que o Governo dá aos tribunais. Quanto à área penal e como venho dizendo há mais de 10 anos, a fiscalização externa é real quanto aos actos dos juízes (normalmente públicos e face a duas partes) mas é quase nula quanto aos actos dos magistrados agentes do Ministério Público (normalmente secretos e sem contraditório), a que acresce o apagamento do papel dos juízes e dos advogados no processo penal desde 1987. A culpa é do legislador das décadas de 1980 e 1990, das maiorias PS e PSD. A ineficiência do nosso processo penal é notória quanto à grande criminalidade. Gastam-se muitos meios humanos e financeiros nos inquéritos criminais, mas os resultados nada de especial têm: como se sabe, a economia paralela é grande e os casos difíceis são muito pouco fortes quando chegam ao fim dos inquéritos ou ao julgamento, sobretudo quando o acusado não é uma pessoa simples. Tribuna - A que se deve a ineficiência do processo penal em relação à grande criminalidade? Essa falta de resultados poderá indiciar que, afinal, a justiça não é cega? Isso também acontece na Madeira? PG - Um processo penal só é eficiente se, sem desperdiçar meios, for capaz de ter sucesso contra a criminalidade organizada e contra a de colarinho branco, que minam a economia e o Estado. O diagnóstico é pacífico e abrange todo o país. Sobre ele têm escrito muitos juristas portugueses de todas as áreas de pensamento, como Marcelo Rebelo de Sousa, Garcia Pereira, Freitas do Amaral, Jorge Sampaio e Rui Pereira. A principal causa é a falta de meios das polícias quanto à criminalidade de colarinho branco, a que se pode acrescentar o facto frequente de o Ministério Público não ser representado em julgamento pela pessoa que fez a acusação e a falta de fiscalização externa à eficiência de cada departamento do MP. Também releva o apagamento do papel do advogado e do juiz no processo penal. “Criar um tribunal de instrução criminal por cada círculo judicial”. Tribuna - A alteração do mapa judicial da Região também tem sido um tema na ordem do dia. Qual é a sua posição relativamente a esta matéria? PG - Não discordo muito do actual mapa judiciário regional, embora reconheça que o município de Câmara de Lobos coloca algumas dificuldades em certas áreas. Penso que, a haver alteração, deverá ser quanto a esse município e quanto à criação em Portugal, Funchal incluído, da figura do tribunal de instrução criminal por cada círculo judicial, devendo o juiz de instrução criminal ser sempre um juiz experiente. Trata-se, afinal, de tentar fiscalizar a acusação criminal ou o arquivamento do inquérito feitos pelo Ministério Público, tudo em sede de direitos fundamentais. Tribuna - Como analisa a “guerra” declarada pelo Governo Central à corrupção desportiva, com o recente anúncio de um projecto de proposta de lei elaborado pela Unidade de Missão para a Reforma Penal, que prevê que clubes e associações desportivas passem a responder na justiça por crimes de falseamento de resultados e corrupção? PG - Concordo, como é evidente, e é algo normal. Ao criminalizar directamente as actuações de entidades colectivas, em vez de serem apenas as pessoas singulares, previne-se o crime e atinge-se uma entidade que serve como “desculpa” para as actividades ilegais. Tribuna - Qual é a situação da Madeira nesse âmbito? PG - Só a polícia e o Ministério Público sabem isso, porque é esse o seu dever. Tribuna - Relativamente ao pacto PS/PSD para a justiça, que opinião tem em relação ao facto de o combate à corrupção ter ficado de fora? PG - Isso será irrelevante se a polícia passar a ter já os meios científicos e humanos especializados para investigar esse tipo de criminalidade complexa. |
Mesa redonda sobre "Pacto Para a Reforma da Justiça"

Tribunais de família e menores em todo o País
A intenção é que todos os conflitos relativos a família e menores deixem de ser resolvidos nos tribunais comuns, alargando os juízos da especialidade a todo o País. Cada uma das futuras comarcas, territorialmente maiores do que as actuais e definidas na revisão do sistema judicial em curso, terão assim uma valência específica para estes problemas, segundo assegurou ontem o secretário de Estado adjunto e da Justiça, Conde Rodrigues, em Vila Real de Santo António.Mais crianças em risco
MAIS TRIBUNAIS DE FAMÍLIA 


