quinta-feira, setembro 14, 2006

Relatório anual regista aumento de casos de crianças em risco

O relatório de 2005 que contém as conclusões do trabalho realizado pelas 269 comissões de protecção de crianças e jovens que operam no país indica um aumento do número de processos abertos para crianças em risco. "A tendência é para uma subida de 1500 a 2000 casos por ano", disse, ao JN, a secretária de Estado adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, que explica a subida de três mil casos - foram 12 mil os processos abertos em 2004 - com as novas regras de actuação mais rigorosas e que incluem grupos e situações de risco que até aí não eram alvo de intervenção imediata.
Segundo o documento - que será divulgado na última semana de Setembro -, as problemáticas mais frequentes continuam a ser as que derivam da negligência e abandono escolar, na faixa etária dos 11 aos 15 anos, ou seja, pré-adolescência.
As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e as grandes cidades mantêm os mais elevados índices de incidência processual e também permanecem, como em anos anteriores, os quadros-tipo de "famílias de muito baixa qualificação, de grande fragilidade social e económica, muitas das quais em risco de exclusão".
Os casos de familiares ligados à toxicodependência, alcoolismo, portadores de doenças crónicas, desempregados, em muitos dos casos, num contexto simultâneo, são os mais comuns.
Formação começa a 29.
Resolvidos, para já, os problemas de logística e economato de que as comissões se queixavam - o Governo disponibilizou 6.580 mil euros para as autarquias lhes prestarem apoio administrativo -, falta ainda que entrem ao serviço os 123 novos técnicos que dia 29 iniciam a sua formação. Cada um ficará responsável por 150 processos.
Ao JN, a governante - que hoje e amanhã participa em Vila Real de Santo António, com o secretário de Estado adjunto e da Justiça, Conde Rodrigues, no primeiro encontro com as comissões de menores - realçou que o relatório indica ter havido, em 2005, "uma intervenção mais partilhada", de escolas, hospitais, autarquias e tribunais, entre outras entidades que se envolvem no processo.
Faltam tribunais.
Conde Rodrigues anunciou, ontem à Lusa, que em Outubro será criado um grupo de trabalho que deverá apresentar propostas para a reforma do Direito da Família e Menores e actualizar a Lei Tutelar Educativa - que não sofre alterações desde 2000 - para que processos relativos à lei da adopção e organização do poder paternal se tornem mais céleres.
Segundo o último relatório da subcomissão parlamentar de Igualdade de Oportunidades, os 18 tribunais de família e menores que existem desde 2001 são insuficientes e aconselha a criação de secções especializadas em tribunais de competência genérica. Com gabinetes de psicologia, de mediação familiar e instalações mais acolhedoras.

Novo Futuro

É uma Associação para acolhimento e apoio a Crianças e Jovens privados de ambiente familiar, fundada em Portugal em 1996 e reconhecida como IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) e de Superior Interesse Social (Despacho conjunto nº580/2000 de 3/5/2000 dos Ministros do Trabalho e Solidariedade e Finanças).
Aconselho uma vista ao site:

Porteiro e lei

Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo dirige-se a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada.”
(Kafka – O processo).

quarta-feira, setembro 13, 2006

Reforma do Direito de Família e Menores

O Governo vai criar um grupo de trabalho que, até ao final do ano, apresentará propostas para a reforma do Direito da Família e Menores, disse à «Lusa» o secretário de Estado adjunto e da Justiça.

Segundo Conde Rodrigues, este grupo, que estará constituído em Outubro, deverá avançar com uma actualização da Lei Tutelar Educativa, em particular no que respeita aos menores em risco, que não sofreu alterações na legislação publicada em 2000.
O objectivo, explicou, é procurar agilizar processos e aperfeiçoar matérias relacionadas com a lei da adopção e com a organização do poder paternal.
Esta intenção governamental será transmitida quinta-feira pelo secretário de Estado Adjunto e da Justiça e pela secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, na abertura do 1º Encontro de Comissões de Menores, que decorre em Vila Real de Santo António.
Na reunião de dois dias, vai estar em análise o trabalho desenvolvido pelas comissões de protecção de crianças e jovens dos distritos de Faro, Beja, Portalegre, Évora, Setúbal e Lisboa.

13 de Setembro - Dia de Acção Global para um Tratado de Comércio de Armas



Car@ amig@
O trabalho da Amnistia Internacional para conseguir um Tratado sobre o Comércio de Armas continua.
Com a sua ajuda, através da Petição Um Milhão de Rostos, demonstrámos aos governos de todo o mundo que os cidadãos estão preocupados com a proliferação descontrolada das armas. Agora pedimos-lhe que continue a apoiar-nos nesta causa.
Em Outubro a Assembleia Geral das Nações Unidas votará uma resolução para iniciar as negociações de um Tratado sobre o Comércio de Armas. No entanto, esta resolução não faz referência aos direitos humanos.
Se a Resolução não referir claramente os compromissos dos Estados com a promoção e protecção dos direitos humanos, acreditamos que o Tratado que eventualmente se concretize não impeça a tranferência de armas para os principais violadores desses direitos.
Vá a www.controlarms.org e envie um email para um dos países promotores desta resolução, pedindo que sejam introduzidas no texto referências aos direitos humanos. Um minuto do seu tempo pode fazer a diferença!
Obrigada
Irene Rodrigues
Coordenadora de Comunicação e ImagemAmnistia Internacional Portugal
Telf: 21 386 16 52
Fax: 21 386 17 82
www.amnistia-internacional.pt

Portaria n.º 955/2006, de 13 de Setembro


Determina os tribunais em que se aplica o regime processual experimental, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 108/2006, de 8 de Junho

Paquistão: lei relativa à violação

Os movimentos de mulheres activistas paquistanesas mostraram o seu descontentamento, esta terça-feira, contra a decisão do governo de «pouco alterar» a lei relativa à violação.
Actualmente, uma mulher que sofreu um abuso sexual precisa de apresentar quatro testemunhas masculinas que atestem que o crime foi cometido, para não ser acusada de adultério.

A oposição ao governo, mais conservadora e religiosa, negou a possibilidade desta norma islâmica ser alterada e fez exigências: «Pode passar para um crime penal, mas não deixa de ser islâmico». As activistas acusam agora o governo de ceder sem lutar e de poder tornar a lei ainda pior.
Segundo o Daily Mail, a lei das quatro testemunhas masculinas foi introduzida na legislação do Paquistão em 1979, por Mohammad Zia-ul-Haq e, desde então, tem sido criticada pelo mundo em geral. Mas até agora nada foi feito e a recente tentativa do governo foi gorada pela oposição.
Ler noticia integral em Portugal Diário, de 13-09-2006.

terça-feira, setembro 12, 2006

O pacto da justiça, de Eduardo Dâmaso

Ler artigo integral em
de 12-09-2006

O PS e o PSD fizeram um acordo para a justiça que só o futuro se encarregará de dizer se valeu a pena ou não. Há medidas ali previstas que vão no caminho certo, mas persiste uma ausência que condiciona qualquer diagnóstico sobre a justiça e que se chama combate à corrupção.
Esta ausência conduz-nos, de novo, à velha tese da influência decisiva do "Bloco Central dos Interesses" na justiça. Ela é consistente se pensarmos que em três décadas o sistema judicial foi incapaz de concluir investigações manifestamente letais para alguns políticos, de incomodar as lideranças partidárias com inquéritos que soubessem enquadrar os factos na sua relação com o financiamento ilegal dos partidos e o mais grave dos crimes que lhe é adjacente, a corrupção.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Recordar o 11 de Setembro de 2001





















Nos momentos que se seguiram ao choque do primeiro avião com a primeira torre do World Trade Center, a tese de terrorismo parecia ainda remota, mas as dúvidas dissiparam-se após a colisão do segundo avião.
O ataque às torres gémeas foi mais mediatizado, tendo deixado (quase) no esquecimento o atentado ao Pentágono. Eram marcantes as imagens que chegavam de Manhattan, ilustravam o sofrimento dos que tentavam sair do inferno de chamas em que se transformou o World Trade Center. Alguns preferiram até saltar dos andares mais altos das torres.
Os edifícios acabaram mesmo por ruir. No final, o balanço era negro: 2973 pessoas morreram, a grande maioria estava no World Trade Center. Muitos corpos ficaram por identificar.
Fonte do texto escrito: Portugal Diário, de 11-09-2006.

sábado, setembro 09, 2006

Linha telefónica para professores vítimas de violência arranca segunda-feira

Os docentes vítimas de violência e indisciplina nas escolas podem contar a partir de segunda-feira com o apoio psicológico e jurídico de especialistas através de uma linha telefónica gratuita, promovida pela Associação Nacional de Professores (ANP).


Segundo a agência Lusa, professores, psicólogos, juristas e especialistas em mediação de conflitos e mediação escolar constituem a equipa de sete técnicos que estará acessível através do número 808962006, todos os dias úteis, entre as 11:00 e as 12:30 e entre as 18:30 e as 20:00.

Ler noticia integral em Portugal Diário, de 9-09-2006.

Bloco Central trama juízes


O pacto entre o PSD e o PS na justiça, envolvendo o mapa judiciário, a formacão e a nomeacão de juízes, podendo abrir os tribunais superiores a juristas de reconhecido mérito mas com o risco de estarem próximos do poder político, deverá deixar os juízes em polvorosa, denun- ciando o perigo de politização do sistema e atentado contra o princípio da independência dos tribunais. Entretanto, o Ministério Público, mesmo com a nova lei de política criminal a ser apontada desde há meses como um perigo para a sua autonomia, deverá manter os seus poderes no novo quadro da justiça. O pacto entre PS e PSD deverá abranger, também, a escolha do novo PGR.
Ler noticia integral em Semanário, de 9-09-2006.

O Bloco Central mostra a sua raça, por Paulo Gaião


O pacto entre PS e PSD na justiça pode ser a factura a pagar pelos magistrados em relação ao caso do sangue contaminado com sida de Leonor Beleza e ao caso Paulo Pedroso.

Uma nova visão jornalística para os motivos do pacto entre PS e PSD na área da justiça.

Numa sociedade plural, aconselho a leitura deste artigo.

Clique aqui para ler este artigo.

Magistrados - Estatuto de jubilação em causa



Para juízes e procuradores que optem pela jubilação o cálculo das pensões passará a ser feito de acordo com as regras gerais aplicáveis aos colegas que optaram pela aposentação e restantes funcionários públicos, o que irá provocar uma considerável redução nas suas pensões.

As novas regras, que estão previstas no pacto para a reforma na Justiça assinado ontem pelos líderes parlamentares do PS, Alberto Martins, e do PSD, Luís Marques Guedes, já mereceram as críticas dos magistrados, por considerarem que esta decisão irá “esvaziar” o estatuto de jubilação.

Os magistrados jubilados, ao contrário dos juízes e procuradores aposentados, mantêm as mesmas obrigações e deveres com a Magistratura, excepto a de se apresentar no local de trabalho, e não podem ter outra actividade profissional remunerada. Por isso, o valor da pensão de um magistrado jubilado corresponde ao seu último salário. Já no caso da aposentação, a pensão é calculada de forma igual à dos funcionários públicos, mas os magistrados podem ter outras actividades profissionais remuneradas.

Em média, as reformas rondam entre os quatro mil e os seis mil euros.

Actualmente, os magistrados mantêm os mesmos direitos que têm na efectividade de serviço, como a casa de função ou, em alternativa, um subsídio de habitação de 700 euros, e o acesso gratuito aos transportes públicos.

Direitos que vão deixar de existir para jubilados e aposentados e reforçam as críticas dos magistrados. “A Associação Sindical dos Juízes Portugueses não irá aceitar que seja desvirtuado o estatuto da jubilação”, disse ao CM o presidente, António Martins. A mesma opinião foi manifestada ao CM pelo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, António Cluny.

A revisão dos Estatutos dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público prevê ainda o fim da possibilidade de alternância entre a jubilação e aposentação e impõe um prazo limite para a escolha de uma das possibilidades.

No acordo entre as duas forças partidárias ficou ainda estabelecido que “um quinto dos lugares de juízes conselheiros deverá ser obrigatoriamente preenchido por juristas de mérito não pertencentes às magistraturas”.

Uma medida que irá mudar o ‘rosto’ de alguns tribunais, como o Tribunal Constitucional, Supremo Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Administrativo, já que até hoje apenas dois juristas por mérito conseguiram preencher as vagas de juízes conselheiros: Menéres Pimentel, ex-provedor da Justiça, e Maria dos Prazeres Beleza, jurista.



Ler noticia integral em Correio da Manhã, de 9-01-2006.

PS e PSD assinaram acordo político-parlamentar para a área da justiça














Ontem, dia 8 de Setembro, às 12.00 horas, teve lugar no Salão Nobre da Assembleia da República, a assinatura do Acordo Político - Parlamentar para a Reforma da Justiça, celebrado entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata.O Acordo foi subscrito pelos Líderes Parlamentares, Dr. Alberto Martins e Dr. Luís Marques Guedes, na presença do Senhor Ministro da Justiça, Dr. Alberto Costa e do Vice-Presidente do PSD, Comandante Eduardo Azevedo Soares.

sexta-feira, setembro 08, 2006

10º Curso de Pós-Graduação "Protecção de Menores"

Estão abertas as inscrições para o 10.º Curso de Pós-Graduação"Protecção de Menores"Prof. F. M. Pereira Coelho(2006/2007)
Organização: Centro de Direito de Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

INÍCIO DO CURSO:14 de Outubro de 2006.
FIM DO CURSO:24 de Março de 2007.
Para saber mais pormenores clique aqui.

Portaria n.º 933/2006, de 8 de Setembro


Aprova o Regulamento de Segurança das Instalações de Fabrico, Reparação, Comércio e Guarda de Armas.

Conselho de Ministros, de 7 de Setembro de 2006



O Conselho de Ministros reunido ontem aprovou um conjunto de iniciativas no âmbito da Justiça.

Pacto PS-PSD garante lugar a juristas de mérito

O acordo político-parlamentar PS-PSD para a reforma da Justiça, assinado esta sexta-feira, prevê que «um quinto dos lugares de juízes conselheiros deverá ser obrigatoriamente preenchido por juristas de mérito não pertencentes às magistraturas», noticia a agência Lusa.

A solução está contemplada no acordo, na parte relativa ao «Estatuto dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público», que é uma das nove matérias abrangidas por este pacto entre os dois maiores partidos com assento parlamentar.
PS e PSD comprometem-se ainda, no âmbito deste acordo hoje assinado na Assembleia da República, a que o acesso ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) se faça «mediante concurso curricular aberto a magistrados judiciais e do Ministério Público (MP) e a outros juristas de mérito».
Lê-se ainda no documento que «o concurso incluirá uma apreciação pública dos currículos dos candidatos perante um júri composto pelo presidente do STJ, um juiz conselheiro e um professor catedrático de Direito».
Outras das soluções acordadas neste campo estipula que «o provimento de vagas de juízes da relação faz-se por promoção, mediante concurso curricular, que incluirá uma apreciação pública do currículo do candidato, perante um júri composto pelo presidente da Relação, um juiz desembargador e um professor de Direito».
Um dos pontos acordados entre PS e PSD refere que «a regulamentação da Lei da Organização e Funcionamento dos Tribunais adoptará disposições tendentes (...) a uma diminuição do actual número de juízes conselheiros do STJ, a concretizar em função da redução do volume processual».

Na revisão dos Estatutos dos Magistrados Judiciais e do MP, PS e PSD acordaram ainda alterações em matéria de aposentação e jubilação, definindo que «é excluída a possibilidade de alternância entre jubilação e aposentação» e que «é fixado um prazo limite para aqueles que, satisfazendo por inteiro os requisitos previstos na lei actualmente em vigor, queiram passar à situação de jubilação ou aposentação ao abrigo dela».

Acordaram ainda que «o cálculo das pensões, em ambos os casos, passa a ser feito de harmonia com as regras gerais aplicáveis aos outros servidores do Estado, nomeadamente no que concerne à valoração do tempo de serviço».
Outro dos assuntos alvo deste pacto prende-se com a Autonomia do Conselho Superior da Magistratura (CSM), tendo PS e PSD acordado que este órgão de gestão e disciplina dos juízes será «dotado de autonomia administrativa e financeira, por forma a permitir-se uma efectiva responsabilização pela gestão de meios e recursos colocados à sua disposição».
Fonte do texto escrito: Portugal Diário, de 8-07-2006.

Pacto da justiça impõe exames públicos a juízes

O pacto sobre justiça que hoje o PS e o PSD assinarão na Assembleia da República prevê a reinstauração de uma norma do Estado Novo: a obrigação de os juízes fazerem provas públicas para o acesso aos tribunais superiores. Tal medida constará na revisão do Estatuto dos Magistrados, a qual também incluiu uma outra proposta muito controversa nas magistraturas: a criação nos tribunais superiores de uma quota obrigatoriamente preenchida por não-magistrados - ou seja, por juristas (advogados, por exemplo) de mérito.
O pacto (as medidas em concreto estão explicadas na página ao lado) será assinado ao final da manhã no Parlamento por Alberto Martins, líder parlamentar do PSD, e Nobre Guedes, líder parlamentar do PSD - após o que também Marques Mendes e José Sócrates se pronunciarão. Será o ponto final num processo de negociações que teve início no passado mês de Maio e que, tendo como mentores o líder social-democrata e o primeiro-ministro, foi desenvolvido por um pequeno grupo de trabalho entre os dois partidos (com particular enfoque para Marques Guedes, pelo PSD e o ministro da Justiça, Alberto Costa, pelos socialistas). Os trabalhos desenvolveram-se em total secretismo - só ontem os grupos parlamentares foram informados.
Com os socialistas em silêncio, remetendo declarações para depois da reunião entre a bancada de deputados e Alberto Costa, que terminou já após o fecho desta edição, coube aos sociais-democratas pronunciarem-se. Nomeadamente pela voz do líder parlamentar, Marques Guedes, que reclamou para o PSD a inscrição das suas propostas no acordo final, qualificando o pacto alcançado com o PS como um "sucedâneo" do trabalho desenvolvido pelos sociais-democratas no anterior Executivo.
Quanto ao "patrocínio" do Presidente da República, Marques Guedes não quis falar em "pressões" de Cavaco Silva ("o Presidente da República não pressiona ninguém" ). Disse apenas que o único sinal que o PSD recebeu da parte de Belém foi a mensagem deixada na cerimónia de tomada de posse, quando Cavaco apelou a um consenso alargado para a área da Justiça.
Uma declaração feita em Março deste ano, numa altura em que José Sócrates tinha já expresso a recusa em subscrever um pacto de regime com o PSD - fê-lo no Parlamento e em termos contundentes -, sugerido meses antes pelo líder social-democrata. À entrada para a reunião com os deputados socialistas, o ministro da Justiça não explicou, mas deixou um comentário a esta alteração de posição: "A questão não está na palavra, está na realidade", afirmou o ministro, para defender que a realidade passa pela concretização do "espírito reformista" do Governo, que neste caso passava pela criação de um suporte político para a reforma. E se o PSD reclamou o acordo como um sucedâneo das suas propostas, Alberto Costa diz que se está a cumprir o programa de Governo.
O ministro garantiu ainda que o resultado das negociações com os socais-democratas não é fechado e "admite a participação dos restantes partidos".
Fonte do texto escrito: Diário de Noticias, de 8-09-2006.

Pacote para a Justiça Medidas apresentadas pelo governo "varrem" as áreas Penal e Cível. São pequenas alterações para agilizar o sistema.

No âmbito da reforma do Código Penal, a proposta do governo tipificou novos crimes: crime de tráfico de pessoas, que pode ser dirigido à exploração sexual, à exploração do trabalho ou à colheita de órgãos e é punido com penas de podem ir até 12 anos de prisão. E o crime de incêndio da floresta, que se consuma independentemente de perigo ou dano contra bens pessoais, uma vida e a integridade física, sendo punido com pena de prisão de 1 a 8 anos, mas susceptível de várias agravações. Nos abusos sexuais, consagra-se a criação de crimes de pornografia e de actos sexuais remunerados. Elimina-se a discriminação referente a actos homossexuais e heterossexuais com adolescentes com mais de 14 e menos de 16 anos, passando a requerer-se sempre o abuso da inexperiência.
Os intermináveis interrogatórios de arguidos acabam com o novo Código do Processo Penal. Casos como o de Pimenta Machado, Carlos Cruz, Paulo Pedroso e Abel Pinheiro, cujos interrogatórios se prolongaram até de madrugada não serão possíveis à luz da nova lei, que prevê "uma duração máxima de quatro horas", só podendo ser retomado, por período idêntico, após um intervalo mínimo de uma hora. A constituição de arguido, "dada a estigmatização social e a eventual limitação de direitos que envolve, passa a estar sujeita, quando efectuada por órgão de polícia criminal, a validação por magistrado", segundo o comunicado de ontem do Conselho de Ministros.No que respeita ao processo civil, a simplificação do regime de recursos será a principal reforma objecto do acordo entre Governo e PSD.E pelo caminho ficarão algumas das modalidades actualmente existentes, como é o caso do agravo, no campo dos recursos ordinários, e da oposição de terceiro, no que toca aos recursos extraordinários. O alegado abuso por parte dos advogados dos recursos tem sido uma das principais críticas feitas ao sistema judicial. Uma crítica que o bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, sempre fez questão de rejeitar, saindo em defesa dos recursos como forma de melhor acautelar os interesses dos cidadãos. A intenção do Executivo (e do maior partido da oposição) passa também por simplificar o processamento dos recursos, para que não sejam um entrave à celeridade processual.
Os magistrados que quiserem "subir" para os tribunais superiores, ou seja, para os tribunais da Relação ou para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), vão ser obrigados a prestar "provas públicas". Esta é uma das alterações que o Governo está apostado em introduzir no Estatuto dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público. Bem como a criação de uma quota de juízes conselheiros de preenchimento obrigatório por juristas de mérito, não magistrados. Actualmente, por cada três vagas no Supremo, uma é para juristas de mérito. Também a formação dos juízes e procuradores vai ter novas regras. A ideia é que a formação dada a juízes e magistrados do Ministério Público "reflicta as diferenças" que existem entre as duas funções, acabando-se com o "tronco comum" da formação ministrada no Centro de Estudos Judiciários.
Ao contrário do que prevê o actual Código do Processo Penal, que diz que a "notícia de um crime" (quando as autoridades tomam conhecimento, seja por uma notícia de um jornal ou uma denúncia anónima) dá sempre lugar à abertura de um inquérito, o novo diploma diz que "não há lugar à instauração de inquérito perante notícias de crime manifestamente infundadas". Isto leva a que o magistrado do Ministério Público faça uma pré-avaliação da denúncia, antes de abrir um inquérito. Tenta-se evitar assim casos em que alguém faça uma denúncia anónima ao MP e depois comunique esse facto aos meios de comunicação social. Estes, conhecedores da lei, acabam por revelar a existência de um inquérito.
O carácter excepcional da prisão preventiva é reforçado no novo Código do Processo Penal. Esta medida de coacção passa a ser aplicável a crimes dolosos puníveis com pena de prisão superior a cinco anos e em situações de terrorismo, criminalidade violenta ou altamente organizada. Os prazos são reduzidos e o espírito do Código "aconselha" a aplicação da prisão domiciliária ou outras formas alternativas de acautelar os interesses do inquérito.
As escutas telefónicas - tema central que tem animado os debates dos últimos anos sobre a reforma Penal - sofrem, não uma revolução, mas uma clarificação. Fica consagrado que só os suspeitos, arguidos, intermediários e vítimas (neste caso, mediante consentimento efectivo ou presumido) podem ser objecto de escutas. E para eliminar a ambiguidade do termo "imediatamente" (que actualmente estabelece o prazo em que o juiz de instrução deve conhecer o teor das intercepções) ficará estipulado no novo Código do Processo Penal um prazo de 15 dias. Neste processo, o papel do Ministério Público sai reforçado, porque as polícias deixam de levar as escutas directamente ao juiz, passando-as a entregar ao magistrado do MP. Este tem 48 horas para as ouvir e seleccionar o que interessa à investigação. Mas continua a ser o juiz de instrução que as valida e as manda transcrever para o inquérito. As perícias médicas só poderão ser realizadas com o consentimento do visado ou mediante despacho do juiz de instrução. O novo Código do Processo Penal dá um passo em frente em relação à realização de buscas. Actualmente, estas só podem ser feitas do nascer ao pôr do Sol. Agora passarão a ser possíveis buscas nocturnas nos casos de terrorismo, criminalidade violenta ou organizada e flagrante delito por crime com pena superior a três anos.
Fonte do texto escrito: Diário de Noticias de 8-09-2006.